Dia dos Geoglifos: Especialistas debatem importância das estruturas em encontro no Acre
Programação para celebrar esse patrimônio cultural será a partir das 8h no Horto Floresta O Acre é o estado brasileiro com mais geoglifos registrados e par...
Programação para celebrar esse patrimônio cultural será a partir das 8h no Horto Floresta O Acre é o estado brasileiro com mais geoglifos registrados e para discutir a importância dessas estruturas, pesquisadores, estudantes e especialistas se reuniram no Horto Florestal, em Rio Branco nesta sexta-feira (26), no Dia dos Geoglifos. 🔍Os geoglifos são estruturas geométricas escavadas na terra, em formato de quadrados, retângulos ou círculos e que podem ser datados em até três mil anos. O Acre é pioneiro e referência quando o assunto é geoglifos. Em março de 2024, o primeiro geoglifo tombado no estado teve o reconhecimento homologado pelo Ministério da Cultura. Ao todo, o Acre tem registrado mais de mil geoglifos, sendo o estado com o maior número. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp O evento "Rio Branco: Terra dos Geoglifos – Onde a Floresta Guarda Memória" discutiu também a importância de fortalecer o sentimento de pertencimento da população. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Tecnologia e Inovação (SDTI) organizaram o encontro. Programação destaca importância e reconhecimento de geoglifos no Acre Reprodução/Rede Amazônica Acre Durante o encontro, os visitantes participaram de caminhadas guiadas, exposições de peças arqueológicas e atividades educativas que apresentaram a história dos geoglifos. A programação incluiu ainda exposição de fragmentos de cerâmica encontrados em escavações arqueológicas. LEIA TAMBÉM: Dois geoglifos são encontrados no Acre durante expedição dentro da Reserva Chico Mendes Geoglifos que sofreram danos devem ser delimitados e sinalizados no Acre, determina acordo Sítios arqueológicos são aterrados em fazenda de presidente da Federação da Agricultura do Acre De acordo com o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Tecnologia e Inovação de Rio Branco, coronel Ezequiel Bino, os geoglifos representam mais do que um patrimônio arqueológico. Geoglifos são descobertos em áreas desmatadas da Amazônia “Tem que se orgulhar muito. Os geoglifos do Acre representam respeito com os povos originários e isso tem uma relação direta conosco. Nós viemos daí, tem uma relação muito direta com o patrimônio histórico, mas também com o amor pela nossa terra”, destacou. Segundo ele, o potencial turístico dos geoglifos ainda é pouco explorado pelos acreanos e destacou que as estruturas estão em processo de reconhecimento internacional e concorrem na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como patrimônio da humanidade. “É ter um reconhecimento mundial, e precisamos despertar no rio-branquense esse sentimento de pertencimento. Vamos valorizar, vamos vender isso para o mundo, porque isso traz pessoas para conhecer, e com isso, traz desenvolvimento econômico, turismo, uma cadeia econômica muito importante", afirmou. Visitantes participaram de caminhadas guiadas, exposições de peças arqueológicas e atividades educativas que apresentaram a história dos geoglifos no Acre Júnior Andrade/Rede Amazônica Acre Aproximar a população A superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Acre, Antônia Damasceno, ressaltou que um dos principais objetivos do evento é aproximar a população desse patrimônio. “A importância desse momento é fazer com que os acreanos, que a população no geral, conheça esse tipo de sítio arqueológico, para poder se apropriar disso tudo e perceber o quão rico patrimônio arqueológico temos no Acre”, detalhou. Conforme a superintendente, muitos desses sítios estão próximos à capital acreana, como perto do Aeroporto Internacional de Rio Branco e também no Conjunto Habitacional Cidade do Povo. “Então, são locais dos nossos antepassados, de dois mil anos, três mil anos atrás, e que a população desconhece e que representa a nossa história, o nosso legado", defendeu. Geoglifos são estruturas geométricas escavadas na terra Diego Gurgel/Asscom Potencial turístico O pesquisador da Universidade de Helsinque, na Finlândia, Martti Parssinen, também participou do encontro e defendeu que os geoglifos acreanos ganhem cada vez mais visibilidade internacional. Segundo ele, a divulgação pode impulsionar a economia regional. “Isso é exatamente uma das mais importantes coisas que tem que ser feito. [...] Vai gerar muitas atividades econômicas para hotéis, para restaurantes, para transporte", disse. Ao mesmo tempo, o pesquisador também fez uma alerta para a necessidade de preservar os sítios arqueológicos diante do aumento do turismo. "Quando vem muito turismo, também tem que cuidar dessa riqueza para que não tenha demais e que não seja como um fenômeno que cada um vai onde quiser. Tem que organizar isso bem com um planejamento importante", comentou. Para a professora e turismóloga Angria Goulart Silva, o encontro proporcionou aprendizado prático para os estudantes. De acordo com ela, vivências como essa fortalecem a identidade regional. "A visita técnica super especial aproxima os alunos tanto do turismo quanto do meio ambiente e da educação. [...] Esse dia colabora para que nós, como acreanos, nos sintamos pertencentes nessa região. Perceba que aqui no Acre a gente não teve só um território que não tinha nada. Tinha civilizações muito inteligentes", afirmou. Geoglifos podem ser vistos no Acre e são estudados há mais de 20 anos edro Devani/Secom-AC Novas descobertas O pesquisador da Embrapa Solos, no Rio de Janeiro, Venceslau Teixeira, explicou que os geoglifos estão entre as descobertas arqueológicas mais importantes da América do Sul e muitas perguntas ainda seguem sem resposta. “São formas geométricas de grande dimensão, que certamente demandaram muito esforço de muita gente para serem construídas e ainda se sabe pouco sobre elas. Quem eram essas pessoas que construíram os geoglifos? Qual a razão de construir os geoglifos e por que tantos? E o que faziam nos geoglifos?”, questionou. O especialista revelou também que novas estruturas devem ser identificadas graças ao uso da tecnologia e, com isso, novas descobertas já são esperadas. Com ajuda de drones, ele acrescentou que um grpo de pesquisadores faz novos estudos. "São drones que carregam esses equipamentos e conseguem olhar por dentro das árvores e conseguem ver o chão. Então, novos geoglifos serão anunciados em breve. Só vemos os que estão em áreas desmatadas. Com essa tecnologia muitas informações vão vir à tona", finalizou. Reveja os telejornais do Acre